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Samia Suluhu reconhece “reputação global manchada” da Tanzânia como risco a financiamentos

Samia Suluhu Hassan, presidente da Tanzânia.

A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, fez um raro reconhecimento público nesta segunda-feira ao afirmar que a “reputação global manchada” do país está dificultando o acesso a financiamentos de instituições multilaterais e bancos de desenvolvimento. Sem detalhar quais episódios ou políticas teriam causado essa deterioração da imagem internacional, a chefe de Estado orientou seus ministros e altos funcionários a priorizarem a mobilização de recursos domésticos, sinalizando uma possível guinada para maior autossuficiência financeira.

Estamos enfrentando dificuldades para obter empréstimos e doações de algumas instituições globais por causa da reputação internacional que temos”, declarou Samia durante reunião com o gabinete ampliado, transmitida parcialmente pela televisão estatal. “Peço que nos concentremos em captar recursos internamente, porque o dinheiro externo está se tornando cada vez mais condicionado e difícil.”

Analistas interpretam o discurso como um reconhecimento implícito de que críticas recorrentes sobre retrocessos democráticos, restrições à liberdade de expressão e casos de repressão a opositores e jornalistas durante os últimos anos, tanto no governo anterior de John Magufuli quanto em momentos da atual gestão, podem estar pesando nas decisões de doadores e credores ocidentais. Organizações como Human Rights Watch e Amnesty International têm classificado a Tanzânia como um dos países africanos com maior declínio em indicadores de direitos humanos e governança nos últimos oito anos.

A mudança de tom ocorre em um momento delicado para as finanças tanzanianas. O país possui uma dívida pública que já supera 60% do PIB e depende tradicionalmente de linhas de crédito do FMI, Banco Mundial e parceiros bilaterais europeus e norte-americanos para grandes projetos de infraestrutura. Nos últimos dois anos, negociações com o Fundo Monetário Internacional avançaram de forma lenta e com condições mais rígidas do que em ciclos anteriores.

Especialistas em economia africana veem na fala da presidente o prenúncio de um isolamento financeiro gradual, similar ao que já afetou países como Zimbabwe e Eritreia em décadas passadas. “Quando um líder africano começa a falar abertamente em ‘recursos domésticos’ como alternativa principal, geralmente é porque as portas tradicionais de financiamento estão se fechando ou se tornando politicamente custosas”, avaliou o economista tanzaniano Zitto Kabwe, ex-líder da oposição.

Até o momento, o governo não informou se buscará aproximação maior com credores alternativos, como China ou países do Golfo, nem detalhou um plano concreto de mobilização interna de recursos. A ausência de menção específica aos motivos da “reputação manchada” também alimenta especulações sobre até que ponto o próprio Executivo reconhece internamente os problemas de imagem que critica publicamente.

O discurso de Samia Suluhu Hassan reforça a percepção, entre observadores regionais, de que a Tanzânia pode estar ingressando em uma fase de maior isolamento nas finanças globais, obrigando o país a depender mais de impostos, títulos internos e, possivelmente, de parceiros menos exigentes em termos de governança e transparência.

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