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| Albino Forquilha. Imagem Integrity Magazine. |
O clima político no interior do PODEMOS volta a aquecer de forma dramática, com o presidente do partido, Albino Forquilha, mais uma vez no centro de acusações graves de traição política e institucional. Desta vez, a Associação Solidariedade Cívica de Moçambique (SCM) não poupou esforços: a entidade moveu uma ação judicial contra Forquilha e o partido, levando o caso ao tribunal e solicitando o imediato bloqueio de
todas as contas bancárias do PODEMOS. O tribunal marcou a audiência para esta quarta-feira, 03 de dezembro, o que pode paralisar as finanças da formação e agravar a crise interna.
A SCM, que se autodenomina a "salvadora" do PODEMOS ao "ressuscitá-lo" em momentos cruciais, acusa Forquilha de violar acordos fundamentais firmados antes das eleições. Segundo a associação, 15 dos 43 deputados eleitos sob a bandeira do partido integram a sua estrutura e foram essenciais para o êxito eleitoral. No entanto, após a vitória, Forquilha teria agido de forma unilateral, excluindo os membros da SCM das decisões políticas e administrativas, ignorando o compromisso de partilha de liderança.
"Usaram os nossos recursos, a nossa sede e o nosso espaço quando não eram nada. Agora, que o partido tem assento parlamentar, fingem que nunca existimos", denuncia a SCM em comunicado oficial divulgado esta segunda-feira. A organização alega incumprimentos graves, como a não distribuição de cargos e a marginalização sistemática, o que configura "traição política e institucional". Em retaliação, a SCM ameaça romper a aliança, o que poderia fragmentar a bancada do PODEMOS na Assembleia da República e comprometer a estabilidade da oposição.
O pedido de bloqueio de contas surge como a medida mais drástica na queixa, visando impedir que o partido aceda a fundos durante o processo judicial. "Não permitiremos que os recursos do PODEMOS, construídos com o suor da SCM, sejam dissipados enquanto Forquilha age como um ditador solitário", afirma o porta-voz da associação. Especialistas em direito eleitoral consultados por esta redação alertam que, se concedido, o bloqueio poderia afetar não só as operações partidárias, mas também salários de funcionários e campanhas futuras, mergulhando o PODEMOS em uma crise financeira sem precedentes.
Esta não é a primeira vez que Forquilha enfrenta denúncias de traição. Nos últimos meses, o líder do partido tem sido alvo de críticas internas por decisões controversas, incluindo alianças inesperadas e exclusões de aliados históricos. A audiência de quarta-feira, marcada pelo Tribunal Judicial de Maputo, será o primeiro round de um litígio que pode redefinir o futuro do PODEMOS.