A partir do próximo mês de Maio, os moçambicanos devem preparar-se para um aumento no preço dos combustíveis em todo o território nacional. A subida, confirmada por fontes oficiais, não será um fenómeno isolado em Moçambique, mas sim uma tendência generalizada por toda a África, impulsionada pelo agravamento do conflito no Médio Oriente.
De acordo com o Presidente da República, Daniel Chapo, o aumento deverá ocorrer “lá para finais de Abril e princípios de Maio”, caso a guerra no Médio Oriente se mantenha activa.
“Queria tranquilizar que, talvez, lá para finais de abril e princípios de maio, de acordo com os cálculos que estamos a fazer agora, é que vamos começar a ter estes preços [a aumentar], se a guerra continuar. Ainda temos um período de um mês, um mês e meio para aguentarmos”, declarou Chapo
O bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas para o transporte de petróleo a nível mundial, está a afectar directamente a cadeia de abastecimento do continente africano.
Moçambique, que importa cerca de 80% do seu combustível através daquela rota do Médio Oriente, sentirá de forma particularmente dura o choque nos preços. A economista Estrela Charles alerta que, se o conflito se prolongar, o país poderá enfrentar não só um aumento generalizado dos preços dos transportes e bens essenciais, mas também um agravamento da crise cambial.
A situação repete-se um pouco por toda a África. Países como a África do Sul já anunciaram medidas para tentar travar a subida, incluindo a redução temporária de impostos, embora se preveja um aumento de 40% no gasóleo e 15% na gasolina ainda no mês de Abril. A Etiópia, totalmente dependente de importações, irá racionar o combustível, dando prioridade ao sector agrícola e aos transportes públicos. Em São Tomé e Príncipe, os preços já subiram oficialmente a partir de 1 de Abril.
O Governo moçambicano garante que existem, neste momento, 75 mil toneladas de combustível em reserva, adquiridas ainda antes do agravamento do conflito. Estas reservas deverão assegurar o abastecimento normal do país até ao início de Maio.
As autoridades apelam à população para evitar compras de pânico ou a constituição de reservas domésticas, de modo a não pressionar ainda mais a cadeia de distribuição. O sector da aviação é outro dos mais afectados, com o preço do combustível para aeronaves a disparar 76% em África, o que poderá reflectir-se no custo das passagens aéreas.
Em resposta à crise, a Refinaria de Dangote, na Nigéria, tem aumentado as suas exportações de produtos refinados para outros países do continente, como Costa do Marfim, Gana, Tanzânia e África do Sul. Com capacidade actual de 650 mil barris por dia, a refinaria poderá, a médio prazo, reduzir a dependência africana do Médio Oriente. Contudo, ainda não há confirmação de um acordo directo com Moçambique.
A população moçambicana é assim aconselhada a preparar-se para um aumento gradual dos preços dos transportes e bens de primeira necessidade a partir de Maio, enquanto o Governo monitoriza a evolução do conflito internacional e as alternativas regionais de abastecimento.