O candidato presidencial Venâncio Mondlane anunciou uma paralisação nacional de três dias, de 12 a 15 de janeiro, e convocou manifestações pacíficas por todo o país como forma de contestar o processo eleitoral e os resultados recentemente validados pelo Conselho Constitucional. Mondlane apelou ao povo moçambicano para demonstrar coragem e união neste momento crítico.
"De segunda-feira a quarta-feira, todas as atividades devem estar paralisadas, das 8h às 17h. Nas ruas, bairros e distritos, vamos realizar manifestações pacíficas com cartazes", declarou Mondlane em transmissão ao vivo na sua página do Facebook, na noite de sexta-feira, 11 de janeiro de 2025.
Cronograma e Foco das Manifestações
- Segunda e Terça-feira (12 e 13/01): Protestos contra os "traidores do povo", em referência aos deputados eleitos que tomarão posse na Assembleia da República.
- Quarta-feira (15/01): Protestos contra os "ladrões do povo", aludindo à FRELIMO e ao Presidente eleito, Daniel Chapo, cuja posse está agendada para o mesmo dia.
Mondlane pediu que os manifestantes levem cartazes com imagens do candidato em quem votaram, afirmando: "Temos de dar um sinal de que o povo está no poder."
O candidato enfatizou que as manifestações devem ser pacíficas, condenando qualquer tipo de vandalismo ou violência. "As manifestações devem ser sem destruição e sem violência alguma", frisou Mondlane. Ele reiterou que a libertação do país depende da coragem de cada cidadão.
Mondlane também revelou estar sob forte vigilância desde o seu regresso a Maputo, alegando que esquadrões rondam sua casa e que há processos judiciais contra ele. Apesar disso, mostrou-se disposto a enfrentar as consequências: "Estou disponível para responder e que me levem."
As manifestações convocadas por Mondlane surgem num momento de alta tensão em Moçambique, com manifestações pós-eleitorais que já resultaram em cerca de 300 mortos e centenas de feridos desde outubro. Recentemente, a polícia dispersou com violência uma concentração de apoiantes do candidato, causando três mortes em Maputo.
Mondlane encerrou a sua mensagem com um apelo à mobilização: "Estas manifestações vão ser um sinal de que o povo é que manda e que o povo está no poder. Participe e salve Moçambique!"
As manifestações poderão comprometer as cerimónias de posse e intensificar o clima de instabilidade política no país.
Redação: Índico Magazine
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