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ANAMOLA marca Convenção Extraordinária e Venâncio Mondlane poderá ser substituído na liderança

Venâncio Mondlane, líder da ANAMOLA. (Via Perfil do Facebook)


A ANAMOLA vai realizar uma Convenção Nacional Extraordinária no dia 24 de Outubro de 2026, num momento particularmente sensível para a formação política, que antecede em pouco mais de três semanas o julgamento do seu presidente, Venâncio Mondlane, marcado para 17 de Novembro pelo Tribunal Supremo.

A proximidade entre os dois acontecimentos está a alimentar especulações nos corredores políticos sobre uma possível entrega temporária da presidência do partido a outro dirigente, em substituição de Venâncio Mondlane durante o período do processo judicial. Até ao momento, contudo, a ANAMOLA não confirmou oficialmente qualquer decisão nesse sentido, pelo que a eventual mudança deve ser tratada como uma possibilidade e não como uma decisão já tomada.

A convocação da Convenção acontece depois de a ANAMOLA ter realizado, em 26 de Setembro, na cidade de Maputo, o seu II Conselho Nacional, encontro que serviu para avaliar o primeiro ano de actividade do partido e preparar uma nova fase da sua organização interna. A reunião decorreu sob o lema “O Futuro Começa Agora” e contou com a participação de estruturas nacionais e representantes da diáspora.

Durante o Conselho Nacional foram apreciados e aprovados o relatório de actividades, o relatório financeiro e o Plano de Actividades e Orçamento para 2026–2031. Foram igualmente aprovados regulamentos das estruturas descentralizadas, termos de referência das estruturas centrais e descentralizadas e um novo organograma do partido.

O encontro ratificou ainda a nomeação de James Mlando Fausto Njiji para o cargo de secretário-geral da ANAMOLA, na sequência da saída de Messias Luís Cipriano Uarreno. Foram também ratificadas as composições do Conselho de Jurisdição Nacional, Conselho de Fiscalização e Comissão de Ética, reforçando a estrutura dos órgãos internos do partido.

O II Conselho Nacional serviu igualmente para a liderança fazer um balanço do primeiro ano da ANAMOLA e projectar os próximos passos da organização. Na ocasião, Venâncio Mondlane destacou mudanças estruturantes realizadas pelo partido desde a sua criação e defendeu uma nova etapa de consolidação da formação política.

É neste contexto de reorganização interna que surge a Convenção Nacional Extraordinária de 24 de Outubro, menos de um mês depois do Conselho Nacional e apenas 24 dias antes do julgamento de Mondlane. A Convenção assume particular importância porque, de acordo com os estatutos do partido divulgados publicamente, constitui o órgão máximo da ANAMOLA e possui competências relacionadas com a eleição da liderança e de outros órgãos centrais da formação política.

É precisamente essa conjugação entre a competência da Convenção, a proximidade do julgamento e a actual situação judicial de Venâncio Mondlane que está a provocar interrogações sobre o futuro imediato da presidência do partido. Nos corredores políticos, especula-se sobre a possibilidade de ser adoptada uma solução temporária para garantir a continuidade da direcção da ANAMOLA caso Mondlane fique impossibilitado de exercer plenamente as suas funções durante o processo.

Não foi, entretanto, divulgado oficialmente o nome de qualquer dirigente que possa assumir essa função, nem foi confirmada pela ANAMOLA uma decisão de afastamento ou substituição temporária do actual presidente. Assim, a eventual entrega da presidência deve ser apresentada como uma hipótese que poderá ser discutida ou resultar das deliberações da Convenção, e não como uma decisão já tomada.

Enquanto isso, aproxima-se o julgamento de Venâncio Mondlane no Tribunal Supremo, marcado para 17 de Novembro de 2026, num processo relacionado com as manifestações pós-eleitorais de 2024. O Ministério Público imputa ao político cinco crimes, entre os quais incitamento à desobediência colectiva e incitamento ao terrorismo, acusações que Mondlane rejeita.

Desta forma, a Convenção de 24 de Outubro poderá ocorrer num dos momentos mais importantes da ainda recente história da ANAMOLA, colocando no centro das atenções não apenas a reorganização dos seus órgãos, mas também a forma como o partido pretende assegurar a sua direcção nas semanas que antecedem o julgamento do seu presidente.

A eventual escolha de um substituto temporário, caso seja discutida e aprovada, não significaria necessariamente uma alteração definitiva da liderança da ANAMOLA. A questão deverá ficar mais clara com as deliberações da Convenção Extraordinária e com as decisões formais que vierem a ser comunicadas pelo partido. 

Redação: Índico Magazine

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