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Kagame exige que petrolíferas paguem pela segurança em Cabo Delgado ou tropas ruandesas retiram-se

Paul Kagamé, presidente do Ruanda.

O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, lançou um ultimato directo às multinacionais petrolíferas que operam em Cabo Delgado, defendendo que estas devem financiar integralmente as operações de segurança na região, sob ameaça de retirada das tropas ruandesas. O estadista criticou duramente a União Europeia, os Estados Unidos e a República Democrática do Congo num discurso que expõe as tensões geopolíticas e os interesses económicos em jogo.

Numa entrevista à agência de notícias Jeune Afrique News, Kagame foi incisivo ao abordar a complexidade da presença militar ruandesa em Moçambique e a questão do financiamento das operações de contraterrorismo na província de Cabo Delgado, rica em gás natural.

O líder ruandês classificou como "insignificante" a contribuição de 20 milhões de dólares da União Europeia, realçando que Kigali gasta "quatro a cinco vezes mais" para manter uma força policial de aproximadamente 5 mil homens na área.

"O valor investido em segurança é mínimo comparado ao volume de investimento das petrolíferas", afirmou Kagame, sublinhando que empresas como a TotalEnergies e a ExxonMobil, juntamente com o Governo moçambicano, cujos ativos valiosos são protegidos, deveriam encontrar mecanismos para custear a segurança.

As suas palavras foram um desafio claro:
"Se precisam de segurança, que paguem por ela. Se não precisam, por que estaríamos lá? No dia seguinte, devíamos fazer as malas e ir embora."
A missão ruandesa em Cabo Delgado, iniciada em 2021 a pedido de Moçambique, tem representado um esforço orçamental significativo para Kigali. Embora o Ruanda tenha ganho prestígio internacional com a eficácia das suas operações, que permitiram recuperar áreas estratégicas como a zona da palma de Afungi, os custos logísticos, salariais e operacionais recaem maioritariamente sobre os cofres ruandeses.

Kagame deixou claro que este modelo não é sustentável a longo prazo, especialmente quando os maiores beneficiários da estabilização da região são as multinacionais do sector energético e o Estado moçambicano.

Na mesma ocasião, Paul Kagame não poupou críticas aos Estados Unidos da América, acusando-os de favoritismo em relação à República Democrática do Congo (RDC) e de imporem sanções injustas a Ruanda. Ele descreveu as sanções como "insultos" e alegou que os EUA culpam o Ruanda por defender-se de ameaças vindas do leste do Congo, enquanto ignoram o agressor.
"Ao contrário da RDC, que cumpre apenas parcialmente ou ignora os acordos, o Ruanda tem honrado as suas obrigações no âmbito do acordo de Washington", afirmou o Presidente ruandês.
As declarações realçam as tensões geopolíticas na região dos Grandes Lagos, onde o Ruanda é repetidamente acusado por especialistas da ONU e por vários países ocidentais de apoiar o grupo rebelde M23, ativo no leste da RDC. Kigali nega veementemente estas acusações e contra-ataca, apontando a inação da comunidade internacional face às milícias congolesas que ameaçam o seu território.

O ultimato de Kagame coloca uma pressão renovada sobre o Governo moçambicano e as multinacionais presentes em Cabo Delgado. A TotalEnergies, que planeia retomar as operações no projeto de gás natural liquefeito de Afungi (avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares), tem repetidamente condicionado o regresso pleno das suas actividades à garantia de segurança na região.

Até agora, a estratégia de segurança em Cabo Delgado tem assentado num triplo pilar: as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), a missão da SADC (SAMIM) e as tropas ruandesas. A eventual retirada do contingente de Kigali criaria um vazio de capacidade operacional significativo, uma vez que as forças ruandesas são amplamente reconhecidas como as mais eficazes no terreno.

As declarações de Kagame ocorrem num momento sensível, em que a insurgência em Cabo Delgado, embora enfraquecida, continua a representar uma ameaça real para as populações locais e para os investimentos estratégicos. O líder ruandês deixou claro que a presença do seu país não é um ato de caridade, mas sim uma operação que deve ser devidamente financiada.

Resta agora saber se a TotalEnergies, a ExxonMobil e o Governo de Moçambique vão responder ao desafio com uma maior contribuição financeira ou se arriscam ver os seus aliados mais eficazes fazerem as malas e partirem.

Fonte: Jeune Afrique News (entrevista concedida por Paul Kagame)
Redação: Índico Magazine 

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