<Josias, 25 anos, foi assassinado em Mocuba, Zambézia pela Polícia, no dia 11 de Novembro de 2024 e um dos agentes deixou cair o seu crachá
Josias recebeu um tiro na testa por volta das 16h estando no mercado. Ao tomar conhecimento a família se deslocou ao local, mas não conseguiu aproximar porque havia fumaça de gás e as pessoas diziam que a Polícia carregou o corpo.
Foram até ao hospital e a morgue mas foram informados que o corpo não deu entrada. Encontraram apenas um corpo de outra vítima. Voltaram a esquadra e suplicaram, mas todos os policiais fugiam do assunto.
Chegou um carro com agentes fardados de militares que desceram e perguntaram qual era o problema. A família respondeu que estava a procura do Josias que havia sido assassinado. Os agentes perguntaram se queriam ser os próximos, mas a família respondeu que apenas queriam o corpo para levar para casa. Logo a seguir apareceu um outro a dizer "saíam daqui senão vão levar bala" e manipulou a arma na sua direcção.
Tiveram que voltar a casa de mãos vazias. Por volta das 23h pediram a um familiar com contactos para ir pedir o corpo, mas ele disse que o máximo que poderia fazer era tentar pedir que levassem o corpo à morgue. Pouco depois das 0h30 receberam chamada do familiar a informar que a polícia acabava de levar 3 corpos para a morgue e que podiam ir levar. Por ser tarde decidiram aguardar porque a cidade estava sob fogo cruzado.
Foram até ao hospital pela manhã, mas tiveram informação que oficialmente nenhum corpo havia dado entrada e recomendaram que fossem a morgue abrir gaveta por gaveta sem nome para procurar, tendo sido assim que localizaram. Carregaram o corpo e levaram para casa.
Na cena do crime o agente "Horácio Fernando Nhavoto" deixou cair o seu crachá, sendo que testemunhas no local "atribuem" a si a autoria do crime. 👮🏾♂️
Fontes no local dizem que o polícia tirou uma pistola, colocou na cabeça da vítima e disparou. Antes de ser baleado, a vítima ligou para o irmão em Maputo a comunicar que estava a sair da sua banca porque havia manifestações, mas não sabia por onde passar para chegar a casa. Quando a vítima morreu, um dos seus melhores amigos ligou para o telefone da vítima e um agente atendeu e disse "Esse eu já lhe matei".
Consta que a polícia ficou com o telefone e a carteira da vítima, recusando de devolver a família e estando actualmente o número fora de área.
O funeral foi realizado no dia 12 de Novembro, as 14 horas. O competente certidão de óbito não foi emitido o clínico alegou que tendo a vítima perdido a vida fora do hospital; para ter certidão de óbito sem BI precisavam de declaração do secretário do bairro.
Josias deixa viúvas, um filho de 4 anos, para além de ser a pessoa que em vida sustentava a mãe, irmãs e sobrinhos órfãos, enquanto vendia e arranjava telemóveis no mercado. Antes da sua morte disse ao irmão em Maputo que estava a pensar como iria para casa porque a polícia estava a disparar para todos os lados.
Graças ao vosso contributo, conseguimos apoiar a família de Josias!