Mais de cinco meses após o brutal assassinato do jovem blogueiro Albino José Sibia, popularmente conhecido como Mano Shottas, o caso permanece envolto em silêncio e impunidade.
O jovem foi alvejado por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) em Ressano Garcia, no dia 12 de dezembro de 2024, enquanto transmitia ao vivo nas redes sociais o uso excessivo da força pela polícia contra civis.
O vídeo abaixo mostra o momento em que Mano Shottas foi baleado durante a transmissão ao vivo:
A ação violenta da polícia incluía o uso de balas reais e gás lacrimogéneo até mesmo dentro de casas. Shottas estava a registar essas ações quando foi atingido mortalmente.
Embora o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) tenha movido uma ação judicial contra o Estado moçambicano em dezembro de 2024, a família ainda espera por justiça.
O caso de Shottas não é um episódio isolado. Diversos relatos denunciam a repressão violenta durante as manifestações pós-eleitorais:
O silêncio em torno do assassinato de Mano Shottas levanta sérias questões sobre o compromisso das autoridades com os direitos humanos e a liberdade de imprensa em Moçambique.
O funeral de Mano Shottas foi marcado por mais violência. Durante a cerimônia, a polícia invadiu o cemitério e abriu fogo contra os presentes:
O tempo passa, mas a memória do jovem blogueiro e ativista continua viva entre os que lutam por democracia. Organizações da sociedade civil pedem responsabilização e transparência.
Se o Estado não responder, resta à sociedade continuar a pressionar para que Mano Shottas não se torne apenas mais um nome esquecido entre tantos silenciados pela violência institucional.